
MERCADO

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou nesta terça-feira (3) a reunião que vai definir a taxa básica de juros, com decisão prevista para quarta-feira (4). É o primeiro encontro após o segundo turno das eleições e, diferentemente das últimas reuniões, o mercado chega sem consenso sobre o resultado.
As opções de Copom negociadas na B3 indicam 66,5% de probabilidade de manutenção da Selic em 13,75% ao ano. Antes do segundo turno, essas mesmas opções apontavam mais de 70% de chance de corte. Já o levantamento do Projeções Broadcast com 75 instituições financeiras mostra um placar praticamente empatado: 39 esperam corte de 0,25 ponto percentual e 36, manutenção.
Do lado da pausa, os analistas citam o dólar acima de 5,40 reais, o petróleo acima de 110 dólares o barril, com as tensões no Oriente Médio, e a revisão para cima das projeções de inflação. Do lado do corte, o argumento é a atividade econômica mais fraca e a avaliação de que a volatilidade pós-eleição ainda é recente demais para indicar uma tendência. Há, porém, um ponto de convergência: a taxa definida agora deve valer até o fim do ano, sem mudança na última reunião, em 8 e 9 de dezembro.
As projeções de médio prazo acompanharam essa mudança de cenário. No Boletim Focus desta semana, a Selic projetada para o fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, e a de 2027, de 11,75% para 12,50%. A projeção para o dólar no fim do ano passou de 5,05 para 5,34 reais, e a do IPCA de 2027 saltou de 4,34% para 4,76%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%.
As projeções de médio prazo acompanharam essa mudança de cenário. No Boletim Focus desta semana, a Selic projetada para o fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, e a de 2027, de 11,75% para 12,50%. A projeção para o dólar no fim do ano passou de 5,05 para 5,34 reais, e a do IPCA de 2027 saltou de 4,34% para 4,76%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%.
O movimento do câmbio ajuda a explicar a revisão. Na semana seguinte ao segundo turno, o dólar subiu cerca de 9% e fechou a sexta-feira (30) a 5,44 reais. Foi a maior alta semanal desde a semana encerrada em 24 de outubro de 2008, em plena crise financeira global, pouco mais de um mês após a quebra do banco Lehman Brothers. Segundo a Economatica, foi também a maior alta do dólar na primeira semana após um segundo turno presidencial desde 1994: em 2002 e em 2022, por exemplo, a moeda havia caído cerca de 5% no mesmo período. No mesmo intervalo, o Ibovespa recuou 18,12%, a maior queda semanal desde março de 2020.
Em números: Selic em 13,75% ao ano | 66,5% de probabilidade de manutenção nas opções da B3 | 39 instituições esperam corte e 36, manutenção | Selic projetada para o fim de 2026 passa de 13,25% para 13,50% | IPCA de 2027 projetado passa de 4,34% para 4,76% | Dólar sobe cerca de 9% na semana pós-eleição, a maior alta semanal desde 2008
O que isso significa para quem investe
A decisão desta quarta define a remuneração dos títulos pós-fixados atrelados ao CDI, que acompanham a Selic a cada reunião. Mas, para além do número, o mercado deve concentrar a atenção no comunicado: o Focus já indica juros mais altos por mais tempo, com a Selic esperada em 12,50% no fim de 2027, ante 11,75% uma semana antes.
Essa expectativa se reflete na curva de juros futuros e, consequentemente, nas taxas oferecidas pelos novos títulos prefixados, que permitem contratar hoje a rentabilidade até o vencimento. Mesmo com a revisão para cima, o Focus ainda projeta uma Selic menor no fim de 2027 do que a atual. Nesse cenário, quem contrata um prefixado com as taxas mais altas do momento mantém essa rentabilidade até o vencimento, mesmo que os juros voltem a cair. Nos pós-fixados, a rentabilidade acompanha cada decisão do Copom ao longo do caminho, para cima ou para baixo. Em qualquer caso, prazo, liquidez e horizonte de investimento seguem como critérios centrais na decisão.
Fontes: Estadão/Projeções Broadcast (03/11/2026); Forbes Brasil (03/11/2026); CNN Brasil (02/11/2026); Banco Central, Boletim Focus, via InfoMoney (03/11/2026); Exame/Economatica (30/10/2026); Agência Brasil (30/10/2026).
HISTÓRIA DO MERCADO
Debêntures completam 144 anos no Brasil:
a história do título que financia empresas
A lei que abriu caminho para as debêntures no país completa 144 anos nesta quarta-feira (4), mesmo dia da decisão do Copom.

Em 4 de novembro de 1882, ainda no Império, a Lei nº 3.150 acabou com a exigência de autorização do governo para a criação de sociedades anônimas. Menos de dois meses depois, em 30 de dezembro, o Decreto nº 8.821 regulamentou a lei e permitiu que essas companhias contraíssem empréstimos "por via de obrigações (debentures) ao portador", o ponto de partida das debêntures no Brasil.
Já naquela época, as regras traziam elementos presentes até hoje: o total dos empréstimos não podia ultrapassar o capital subscrito, cada título informava a série, o número de ordem e o valor da emissão, e os portadores podiam nomear um fiscal para acompanhar a companhia, ideia que antecipa o papel do atual agente fiduciário.
O primeiro grande teste veio com a República. Em 1890, decretos do ministro da Fazenda, Rui Barbosa, ampliaram a oferta de moeda e facilitaram a criação de sociedades anônimas, no período conhecido como Encilhamento, em referência às corridas de cavalos. Centenas de companhias surgiram em poucos meses, muitas sem atividade efetiva, e seus papéis se valorizaram rapidamente na Bolsa do Rio de Janeiro, até que, em 1891, a bolha estourou e levou muitos investidores à ruína. A crise deixou uma lição que orienta o crédito até hoje: o valor de um título depende da capacidade de pagamento de quem o emite.
Depois de um novo regulamento específico em 1893, o marco moderno veio em 1976, com a Lei nº 6.404, a Lei das S.A., ainda em vigor, que dedicou um capítulo às debêntures, com a escritura de emissão, o agente fiduciário e os direitos dos debenturistas. No mesmo ano, foi criada a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, em 2011, a Lei nº 12.431 instituiu as debêntures incentivadas, isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas e voltadas a projetos de infraestrutura.
Hoje, as debêntures estão entre as principais formas de financiamento das empresas brasileiras. Segundo a Anbima, o estoque desses títulos superou 1,6 trilhão de reais em julho de 2026, e as emissões de janeiro a setembro somaram 261,2 bilhões de reais, cerca de 47% de todas as ofertas do mercado de capitais, enquanto o mercado secundário negociou 689 bilhões de reais.
As grandes companhias usam o instrumento para diferentes finalidades. A Vale anunciou emissões de 6 bilhões de reais em debêntures incentivadas em 2024 e de outros 6 bilhões em 2025, para projetos de transporte e com prazos de até 15 anos, enquanto a B3, que opera a bolsa brasileira, anunciou em 2023 uma emissão de 2,55 bilhões de reais para reforço de caixa e capital de giro. Nas incentivadas, energia elétrica e transporte e logística concentraram a maior parte das captações em 2025.
O instrumento também se diversificou. Securitizadoras passaram a emitir debêntures lastreadas em carteiras de recebíveis, com o pagamento ao investidor vinculado ao fluxo de um negócio específico, e, desde 2022, a Resolução CVM nº 88 permite que empresas de menor porte ofertem esses títulos ao público em plataformas de investimento participativo reguladas pela CVM. É o caso da allu, de eletrônicos por assinatura, cuja securitizadora emite debêntures lastreadas nos recebíveis dos contratos de assinatura, com recursos que financiam a compra de novos aparelhos para atender a demanda dos clientes.
Em números: 1882, Lei nº 3.150 e Decreto nº 8.821 | 1976, Lei das S.A. e criação da CVM | 2011, criação das debêntures incentivadas | 1,6 trilhão de reais em estoque, em julho de 2026 | 261,2 bilhões de reais emitidos de janeiro a setembro de 2026
O que isso significa para quem investe
Em 144 anos, a lógica da debênture permaneceu a mesma: a empresa emite títulos de dívida, capta recursos de investidores e assume a obrigação de pagar juros e principal nas condições estabelecidas na escritura de emissão. O que mudou foram as camadas de transparência e acompanhamento: a escritura de emissão, que formaliza prazo, rentabilidade e regras de pagamento; o agente fiduciário, que representa os debenturistas; a supervisão da CVM; e, nas estruturas securitizadas, o lastro em uma carteira específica de recebíveis.
Para o investidor, a pergunta central segue a mesma de 1882: de onde vem a receita que vai pagar o título. Vale entender também quanto o emissor já deve, quais recursos estão vinculados ao pagamento, o prazo e a liquidez do papel.
Fontes: Planalto (Lei nº 3.150/1882 e Decreto nº 8.821/1882); Senado Federal (Decreto nº 164/1890); STJ/BDJur; UFRGS, "Lembrando o Encilhamento"; Capital Aberto; Anbima (20/10/2026); AUVP Analítica, com dados da Anbima (08/10/2026); Vale, fatos relevantes de outubro de 2024 e maio de 2025, via Money Times e Seu Dinheiro; Money Times (29/09/2023); Monitor Mercantil, com dados da Anbima.
INSTITUCIONAL
Black November: o que a maior campanha do ano representa para a allu
Com 22 mil pessoas ao vivo no primeiro dia de ativação, a allu inicia o período de maior demanda do ano.

A allu deu início à Black November, campanha que concentra o período de maior procura por eletrônicos no varejo brasileiro. Na live de ativação do primeiro dia, 22 mil pessoas acompanharam a transmissão ao vivo simultaneamente.
A campanha tem peso relevante no resultado anual da empresa. Em 2025, a Black November foi um sucesso.
Para 2026, a meta é alcançar 7,5 mil assinaturas na campanha e 3 milhões de reais em MRR líquido. MRR é a sigla em inglês para receita recorrente mensal: o valor que a empresa passa a receber todo mês com os contratos ativos. Por exemplo, se mil clientes pagam 100 reais por mês, o MRR é de 100 mil reais. Diferentemente de uma venda pontual, essa receita se repete mês a mês enquanto os contratos estiverem ativos, o que torna o MRR um dos principais indicadores de empresas que operam por assinatura.
É aqui que a campanha se conecta ao investimento. A captação financia o estoque de ativos para o pico de demanda. Cada ativo gera receita recorrente em contratos de assinatura, e contratos como esses originam recebíveis que, securitizados, lastreiam o investimento e sustentam a rentabilidade-alvo de até 24% a.a.
A debênture da allu é um título de renda fixa prefixado, um valor mobiliário regulado pela CVM. A rentabilidade-alvo é definida na escritura no momento do aporte, e o investidor pode optar por receber os juros mensalmente, na modalidade Juros Simples, ou de uma só vez no vencimento, na modalidade Bullet. Quer entender como a debênture da allu pode compor a sua carteira de renda fixa? Um consultor apresenta as condições atuais e faz uma simulação com você. Clique abaixo:
Na próxima segunda-feira, 10 de novembro, tem a nova edição da Newsletter da allu.
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Até segunda, Equipe allu Invest
