
MERCADO

O mercado financeiro brasileiro teve um dos pregões mais voláteis dos últimos anos nesta segunda-feira (26), primeiro dia útil após o segundo turno das eleições presidenciais, que resultou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado diferiu do cenário que vinha sendo precificado por parte dos investidores, o que provocou um ajuste rápido nos preços dos ativos.
O Ibovespa abriu na faixa dos 204 mil pontos e chegou a cair mais de 17% no pior momento do dia, o que levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações por 30 minutos em quedas acentuadas. Foi a primeira vez que o mecanismo foi acionado desde março de 2020, no início da pandemia. Ao fim do pregão, o índice fechou em queda de 13,88%, aos 176,6 mil pontos.
O dólar chegou a subir mais de 12% na abertura, cotado a 5,60 reais, e encerrou o dia em alta de 8,36%, a 5,41 reais.
Os juros futuros também subiram em toda a curva. Ao longo do dia, o contrato de DI para janeiro de 2028 chegou a 14,92%, ante 12,86% na sexta-feira, e o de janeiro de 2035, a 15,38%, ante 12,75%. Com a forte oscilação das taxas, o Tesouro Direto ficou suspenso durante a manhã e reabriu à tarde com os títulos prefixados pagando taxas acima de 15% ao ano. O Tesouro Nacional também cancelou os leilões regulares previstos para esta semana e anunciou uma recompra extraordinária de títulos prefixados.
Em números: Ibovespa com queda de 13,88%, aos 176,6 mil pontos | Dólar com alta de 8,36%, a 5,41 reais | DI janeiro de 2035 chegou a 15,38% ao longo do dia | Primeiro circuit breaker desde março de 2020
O que isso significa para quem investe
Na renda variável, movimentos dessa intensidade refletem a reprecificação das expectativas dos investidores em relação ao cenário econômico e fiscal. As ações passam a ser negociadas com base nessa nova leitura, e a volatilidade tende a permanecer elevada enquanto o mercado ajusta suas projeções. O câmbio segue a mesma lógica, com reflexo nos preços de ativos e produtos atrelados ao dólar.
Na renda fixa, o efeito aparece principalmente nos juros. Nos títulos pós-fixados, atrelados ao CDI, a rentabilidade acompanha a Selic, cuja próxima decisão será anunciada pelo Copom em 4 de novembro. Nos prefixados, as taxas oferecidas em novas emissões passam a refletir o novo patamar dos juros futuros, enquanto os títulos já negociados no mercado têm seus preços ajustados diariamente; para quem os mantém até o vencimento, vale a rentabilidade contratada na aplicação. Em qualquer caso, prazo, liquidez e horizonte de investimento seguem como critérios centrais na decisão.
Fontes: CNN Brasil (26/10/2026); Money Times (26/10/2026); B3.
TECNOLOGIA
A corrida da IA chega ao mercado de capitais

O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por 2,92 bilhões de reais. Fundada no fim de 2023, a empresa desenvolve modelos de IA treinados a partir dos dados de cada cliente e atende companhias de telecomunicações, aviação e energia. O banco já era investidor da startup: em janeiro de 2025, liderou uma rodada de captação que avaliou a empresa em 100 milhões de dólares. Após a aquisição, a NeoSpace seguirá operando de forma independente.
A compra é um exemplo nacional de uma tendência global: empresas de diferentes setores acelerando investimentos em inteligência artificial. Só as big techs devem investir mais de 700 bilhões de dólares em IA em 2026, principalmente em chips, data centers e energia. Pelas estimativas do Goldman Sachs, esse volume pode chegar a 7,6 trilhões de dólares entre 2026 e 2031.
Para sustentar esse ritmo, as big techs passaram a buscar recursos com investidores, por dois caminhos diferentes.
O primeiro é a emissão de ações, que traz novos sócios para a empresa. Foi o caminho escolhido pela Meta, que anunciou nesta segunda-feira um plano para captar até 95 bilhões de dólares: 35 bilhões já estão em andamento, e os 60 bilhões restantes devem ser captados a partir de 2027. A decisão vem depois de um trimestre em que a empresa registrou fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez em mais de uma década, ou seja, gastou mais do que gerou com as próprias operações, com previsão de investir entre 135 e 145 bilhões de dólares neste ano. Nvidia, AMD e Broadcom, fornecedoras de chips para a própria Meta, manifestaram interesse em comprar até 5 bilhões em ações.
O segundo caminho é a dívida. A SpaceX afirmou ter fechado 40 bilhões de dólares em títulos de dívida para comprar chips da Nvidia. A empresa se apoia em receitas que vão além da IA, como os lançamentos de foguetes e o serviço de internet via satélite Starlink. E é justamente esse o critério que, segundo Elon Musk, passou a orientar quem empresta: o mercado de dívida praticamente deixou de financiar empresas que dependem apenas de data centers de IA.
Os primeiros sinais sobre a sustentabilidade de gastos como esses devem vir nesta semana. Alphabet e Microsoft vão divulgar seus resultados na quarta-feira (28), e a Amazon, na quinta (29). Depois de meses premiando os anúncios de investimento, o mercado agora quer ver se esses gastos já se traduzem em receita e caixa suficientes para justificar o volume investido.
Em números: 2,92 bilhões de reais pela NeoSpace | Mais de 700 bilhões de dólares em IA pelas big techs em 2026 | 7,6 trilhões de dólares estimados até 2031 | 95 bilhões de dólares em ações pela Meta, 35 bilhões já em andamento | 40 bilhões de dólares em dívida pela SpaceX
O que isso significa para quem investe
Quando uma empresa precisa de recursos para crescer, ela pode trazer novos sócios, emitindo ações, ou tomar dinheiro emprestado, emitindo títulos de dívida. No segundo caso, quem compra o título passa a ser credor da empresa: empresta o dinheiro e recebe, em troca, uma rentabilidade definida na emissão.
É assim que funcionam as debêntures e outros títulos de crédito privado. Antes de investir, vale entender de onde vem a receita da empresa, quanto ela já deve e se há lastro vinculado à dívida. A fala de Musk mostra esse critério na prática: o crédito vai para quem tem receita sólida para pagar.
Fontes: NeoFeed (26/10/2026); Forbes (07/10/2026); Financial News (26/10/2026); Yahoo Finance (26/10/2026); Mitrade (26/10/2026); Shattered (24/10/2026).
ALLU INVEST
Prefixados em cenário de incerteza

Todo título de renda fixa pode ser analisado a partir de duas perguntas: quanto ele deve pagar até o vencimento e quanto ele vale hoje. Nos prefixados, a primeira resposta é definida no momento da aplicação, o que leva muitos investidores a incluí-los na carteira como forma de reduzir a exposição a períodos de volatilidade como o desta semana. E é justamente após movimentos de mercado como esse que costuma ser comum revisar a alocação, o que torna o momento oportuno para entender o papel dos prefixados.
Separamos a explicação em três características:
A primeira característica é a previsibilidade. Ao contratar a taxa na aplicação, o investidor conhece, desde o início, a rentabilidade nominal que terá até o vencimento, o que permite planejar fluxos futuros, como uma renda periódica ou um resgate em data definida, com base em uma taxa já conhecida.
A segunda é a possibilidade de fixar taxas em patamares elevados. Com a abertura da curva de juros, as novas emissões passam a refletir taxas mais altas, e quem contrata nesse cenário mantém essa taxa até o vencimento, mesmo que os juros recuem depois. Isso reduz o chamado risco de reinvestimento.
A terceira é a diversificação. Combinar prefixados com ativos pós-fixados e de renda variável distribui a carteira entre comportamentos diferentes diante dos juros e do mercado. Enquanto parte dos ativos oscila com as condições do dia, a parcela prefixada mantida até o vencimento segue com a rentabilidade contratada.
A debênture da allu é um título de renda fixa prefixado, um valor mobiliário regulado pela CVM. A rentabilidade alvo é definida na escritura no momento do aporte, e pode chegar até 24% ao ano conforme o valor investido. O investidor pode optar por receber os juros mensalmente, na modalidade Juros Simples, ou de uma só vez no vencimento, na modalidade Bullet.
Os recursos captados financiam a expansão da allu, que oferece eletrônicos por assinatura. O capital vira estoque de aparelhos, o estoque vira novas assinaturas, e os recebíveis dessas assinaturas sustentam o pagamento ao investidor.
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Até segunda, Equipe allu Invest
